Boa Noite! Quarta-feira, 20 de Março de 2019

Você sabia que uma cesariana desnecessária aumenta em 120 vezes a probabilidade de o bebê nascer com problemas respiratórios e triplica o risco de morte materna? O parto normal é indiscutivelmente a melhor escolha para a saúde da criança e da mãe.

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A Organização Mundial da Saúde afirma que são aceitáveis taxas de cesariana de até 15% nos sistemas de saúde, mas 52% dos nascimentos no Brasil são por cesariana e na rede dos planos de saúde essa taxa chega a 84%! Ou seja, no Brasil mães e profissionais de saúde ainda optam pelo parto mais arriscado para elas e seus bebês, apesar de 70% das mulheres desejarem incialmente um parto normal, segundo o Ministério da Saúde.

Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade, ao  nascer antes da hora. E uma cesariana sem necessidade pode levar justamente a isso, ao bebê nascer sem estar pronto. A cirurgia também dificulta o contato pele a pele da mãe e do bebê, que deve ocorrer imediatamente depois do nascimento e traz inúmeros benefícios à saúde.

Os riscos da cesariana são:

-Prematuridade, necessidade de internação na UTI;
-Problemas no sistema de defesa do bebê, que podem levar ao desenvolvimento de doenças como asma, obesidade e doenças autoimunes ao longo da vida;
-Para a mãe, risco de hemorragia, infecção e reação à anestesia durante a cirurgia;
-Problemas para amamentar;
-Aderência da placenta ao útero, principalmente se houver novas cesarianas;
-Endometriose;
-Problemas para a fertilidade.

A dor não deve ser um impedimento para o parto vaginal, pois a mulher tem o direito a uma série de medidas para aliviá-la, como experimentar diferentes posições, massagens, e também direito à anestesia, se achar necessário. É importante a mulher ficar livre, caminhar antes do parto, se alimentar e não ficar presa a um leito. Durante o parto, tem o direito a escolher a melhor posição e não ter a barriga apertada, pressionada pelos profissionais.

Segundo a obstetriz e coordenadora do Grupo de Apoio à Maternidade Ativa (Gama), Ana Cristina Duarte, a melhor maneira de garantir um parto normal é realiza-lo com a equipe de plantão da maternidade. Mas isso exige que as maternidades tenham equipes capazes e completas. “Em países desenvolvidos é normal a mulher fazer o pré-natal com um obstetra e ser atendida na hora do parto pela equipe de plantão.”

A partir de julho as gestantes usuárias de planos de saúde terão o direito de saber as taxas de cesariana de seus obstetras. Espera-se que, com isso, tenham mais informação para escolher o profissional que irá acompanhá-las.

Além disso, estão em curso diversas ações para estimular o parto normal por meio do treinamento de equipes multiprofissionais para o atendimento e adequação do espaço físico de hospitais. “A cesariana foi desenvolvida para salvar as crianças. Ela só deve ocorrer depois que a mulher já está em trabalho de parto e por indicação médica, não por motivo de viagem, por causa da numerologia, ou para a escolha de um signo, por exemplo”, destaca a obstetra Rita Sanchez, coordenadora médica da maternidade do Hospital Albert Einstein que orienta um desses treinamentos. “Só no trabalho de parto o bebê está pronto”, completa.

Fonte: G1.com

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